Equilibrium

2008          
Equilibrium
Técnica: Híbrido 
Material: Planta, motor, hélice, tubosde latão, circuito eletrônico customizado, leds



Equilibrium é parte de uma ecologia de organismos híbridos em desenvolvimento. Trata-se de um sistema no qual uma planta e um mecanismo artificial compartilham uma relação mutual. Este sistema híbrido é composto de dois pequenos motores, células solares, microchip, luzes, sensores fotoelétricos e uma planta. Todo sistema é organizado na forma de uma balança cujo eixo pode girar como uma bússola. Um lado desta balança é ocupado pelo sitema artificial, um pequeno BEAM robô programado para atuar como “caçador de luz” (photovore behaviour). Este robô atua sobre duas hélices que permite todo o sistema girar em seu eixo no sentido horário e anti-horário. Uma pequena planta ocupa o outro lado da balança de forma que quando o sistema gira em seu eixo a planta é posicionada em direção a luz. Por sua vez, duas células solares posicionadas ao lado da planta também recebe luz e alimenta o sistema artificial de forma coerente.

Equilibrium é um artefato comum comportamento autônomo. Ele pertence a uma classe de híbridos artificiais emergentes da prática contemporânea de arte que investiga a criação de novos organismos criados pelo homem. Essa classe de seres aponta para novas questões com relação a interação, já que seu relacionamento com o observador não se baseia apenas em regras de causa e efeito. Mais do que uma resposta interativa a partir do comportamento humano, esses organismos demandam novos diálogos, requerem uma investigação mais profunda sobre sua própria natureza de forma a revelar a rede de significados a que pertencem. Se natureza é um conceito, nunca acessada objetivamente, mas apenas subjetivamente, e se arte é uma das mais poderosas ferramentas de subjetivação, o que em ultima instância diz respeito a nossa consciência, a hibridação de plantas e sistemas artificiais podem vir a trazer novos insights sobre o muindo em que vivemos e sua constante metamorfose.



Equilibrium is part of an ecology of hybrid organisms in development. It is a system in which a plant and an artificial mechanism share a mutual relationship. This hybrid system is composed of two small motors, solar cells, microchip, light sensors and a plant. The whole system is arranged in a form of a balance that is able to spin around its axes in a compass manner. The artificial system occupies one side of the balance and it is set to perform in a photovore (seeking light) behaviour by controlling two propellers which put the whole system to rotate clockwise or counter-clockwise. A small plant is located on the other side of the balance so that when the balance rotates in its axes the plant is posited towards the light. In turn, along with the plant two solar cells absorb light and feed the artificial system.

Equilibrium is an artefact with autonomous behaviour. It belongs to a class of artificial hybrids emerging from contemporary art practices concerning with the creation of new man-made organisms. This class of beings points to new questions on the issue of interaction as their relationship with the observer is not only based on rules of cause and effect. More than interactive response to human behaviour these organisms ask for dialogues, requiring a sort of investigation into their own nature in order to unfold the network of meaning to which they belong. If nature is a concept, never achieved objectively, but only subjectively, and if art is one of the most powerful tools to modulate subjectivity, ultimately our consciousness, the hybrid of plants and artificial systems may bring new insights about the world we live in and its ongoing metamorphosis.

Breathing

2008          
Breathing
Técnica: Híbrido 
Material: Planta, Arduino, fibra ótica, guarda-chuva, acrílico, led RGB



Breathing é um sistema com base numa criatura híbrida feita da comunicação entre um organismo vivo e um sistema artificial. A criatura responde ao seu ambiente através de movimentos, luzes e ruídos. O ato de respirar é a melhor maneira de interagir com a criatura.
Este trabalho é o resultado de uma investigação sobre plantas como agentes sensíveis na criação de arte. A intenção desta obra é explorar novas formas de experiência artística através do diálogo entre processos naturais e artificiais. Breathing é um pré-requisito à vida e é o caminho que interliga o observador à criatura.
Breathing é um trabalho de arte movido por um impulso biológico. Sua beleza não é revelada na planta ou na estrutura robótica. Essa emerge no exato momento em que o observador e criatura trocam suas energia através do sistema. É durante esse momento lúdico, no qual nos encontramos num estranho diálogo com a criatura, que a metáfora da vida é criada.
Breathing é a celebração deste momento.


BREATHING from Nano on Vimeo.



Breathing is a work of art based on a hybrid creature made of a living organism (a plant) and an artificial system. The creature responds to its environment through movement, light and the noise of its mechanical parts. Breathing is the best way to interact with the creature. This work is the result of an investigation of plants as sensitive agents for the creation of art. The intention was to explore new forms of artistic experience through the dialogue of natural and artificial processes. Breathing is a pre-requisite for life, and is the path that links the observer to the creature. Breathing is a small step towards new art forms in which subtle processes of organic and non-organic life may reveal invisible patterns that interconnect us. Breathing is a work of art driven by biological impulse. Its beauty is neither found isolated on the plant nor in the robotic system itself. It emerges at the very moment in which the observer approaches the creature and their energies are exchanged through the whole system. It is in that moment of joy and fascination, in which we find ourselves in a very strange dialogue, that a life metaphor is created. Breathing is the celebration of that moment.







Rider Técnico





BOT_anic

2013          
BOT_anic
Técnica: Híbrido 
Material: Planta, mecanno, Arduino, motor, shield customiszado, led RGB

BOT_anic resulta da criação de um híbrido, planta/máquina, que dá continuidade às investigações de processos com base no entrecruzamento de organismos naturais e artificiais no campo da arte. Esse projeto deriva do trabalho Breathing (2009), que deu origem aos métodos e procedimentos que vêm sendo aplicados em minhas mais recentes criações. Tais projetos investem no uso de plantas como agentes sensíveis para constituição de uma experiência artística. Assim como em Ephemera (2008), Equilibrium (2008) e Breathing,BOT_anic estabelece sua poética a partir de uma relação afetiva entre o observador, a máquina e o organismo vegetal, inter-relacionados de forma sistêmica



Em BOT_anic uma pequena Jibóia (Epipremnum Pinnatum) é monitorada quanto à condutividade (resposta galvânica) de duas de suas folhas, que funcionam como sensores orgânicos para a orientação direcional de um pequeno robô. As variações eletrofisiológicas ocorridas nas folhas dessa planta são amplificadas e enviadas a um microcontrolador, que analisa os dados e ativam estados diferenciados na máquina. São basicamente dois estados: repouso e interação planta/observador. Quando encontra-se em repouso o híbrido tem um de seus estados ativados no qual um sensor de luz analisa estados de luz ambiente e envia os dados para o sistema de forma que o robô possa conduzir a planta até a fonte luminosa de maior intensidade. Ao se aproximar da luz o sistema entra em repouso. O segundo estado, que deriva das interações com observador, faz com que o robô saia de seu estado de repouso e se mova em direção ao mesmo. Isso ocorre quando o observador expira próximo a uma das folhas. O ato de expirar faz com que ocorram variações eletrofisiológicas na superfície da folha monitorada e uma diferença de potencial elétrico apareça no sistema. A partir desses dados o microcontrolador calcula os valores e aciona os motores do robô para levar a pequena planta em direção ao interator. Caso a interação cesse, o sistema volta a seu estado de repouso, buscando a luz e retornando o híbrido a seu local de origem.


Plantas e sistemas artificiais como arte

Quando plantas e máquinas são acopladas de forma híbrida para constituição de uma obra artística devemos pensar tal complexo como um sistema, e como tal, considerar a interação de suas diversas camadas significantes. Em BOT_anic plantas são incorporadas ao sistema levando-se em conta sua significação do ponto de vista popular, científico e pseudocientífico. São tais camadas conceituais, entrelaçadas de forma sistêmica às funcionais, que ressoam à fruição do observador. A experiência de BOT_anic coloca o observador em um lugar instável, que é o lugar criado pela arte. O observador confronta um organismo que resulta de uma colagem sistêmica entre elementos naturais e artificiais, cujas camadas de significação se articulam sinergeticamente para prover ao observador uma experiência sensível. A obra de arte pode ser assim pensada como um nó de informações através do qual o observador pode ressoar ao artista através de uma interligação poética, afetiva. A obra se vale do comportamento natural da planta, na maioria das vezes ignorados pelos nossos sentidos, e os projetam numa dimensão ampliada. Ao interagir com as folhas vegetais o participante dessa experiência não estará apenas ativando as funções automatizadas de uma máquina híbrida, mas, acima de tudo, gerando por meio de sua presença uma relação afetiva que decorrerá de sua interconexão ao sistema. Com base nessa relação algumas questões podem ser formuladas: Como somos percebidos pelo híbrido, para além de suas funções maquínicas? De que forma as plantas nos sentem e se transformam diante dessa novas ecologias? Como essa experiência afeta a nossa consciência sobre plantas, humanos, máquinas e o ambiente em que vivemos? Questões improváveis são amplificadas por esse sistema com o qual nos relacionamos numa experiência sensível. Mesmo não havendo respostas concretas para tais questões, elas alimentam o universo da arte. Elas abrem o horizonte para novos diálogos com o mundo em que vivemos, dissolvendo nesse sentido antigas dicotomias ao levar em consideração objetos técnicos, não como uma ameaça contra a natureza mas, de acordo com Simondon, como possíveis "mediadores entre o homem e a natureza" (Simondon, 1980, p.1). A partir destes diálogos improváveis, contextualizados na experiência da arte, novas ecologias em curso têm sido mapeadas, assim como os homens e suas invenções avançado em direção a novos territórios.

SIMONDON, G. On the Mode of Existence of Technical Objects. English translation of "Du mode d'existence des objets techniques". London: University of Western Ontario. [1958] 1980.